Estou pronto(a) para viver no Vale do Paraíba?
- Fabio Valdecioli
- 14 de abr. de 2025
- 10 min de leitura
Atualizado: 11 de jun. de 2025
Na minha opinião, toda pessoa que pensa em sair de um grande centro para viver no Vale do Paraíba (e de maneira geral, em quase todas as cidades do interior) deveria se fazer essa pergunta: estou pronto(a) para sair da capital e viver no interior?
Afinal, essa mudança vai muito além do que simplesmente colocar as coisas no caminhão e alugar uma nova casa. A diferença de hábitos, costumes e comportamentos também deve ser levada em consideração no momento da decisão.
Enquanto esses novos hábitos, costumes e comportamentos podem ser um atrativo para muitas pessoas, também podem funcionar como uma barreira ou um motivo a mais de preocupação para tantas outras.
Para ajudar você nessa avaliação, vou te passar minha experiência, numa lista de 10 coisas que descobri (ou confirmei) quando mudei para o Vale.
CUMPRIMENTAR E FALAR COM TODO MUNDO

As pessoas gostam de se cumprimentar e falar bastante por aqui. E isso vale para quem está andando na rua, no mercado, na lotérica, no elevador e assim por diante.
No começo eu estranhei o fato de que as pessoas davam um jeitinho de puxar um assunto, seja ele qual for. Ou até ficavam olhando fixamente no meu rosto, como que esperando um "bom dia" para iniciar um dedinho de prosa.
Quem vive na cidade grande entende perfeitamente minha surpresa, já que muitas pessoas, nas mesmas situações, fazem questão de fingir que você "não existe". Desviam o olhar, abaixam a cabeça, ficam mexendo no celular... Chame isso de falta de respeito ou indiferença (ou até medo de conversar com alguém que não se conhece), fato é que as coisas normalmente funcionam assim na capital ou nas regiões metropolitanas.
Já ouvi pessoas comentando que esse hábito de cumprimentar ou "puxar assunto" com todo mundo seria uma indevida intromissão na vida alheia. Eu não vejo assim. Porque de fato não é. Trata-se de um desejo simples e sincero de demonstrar respeito e cordialidade. Algo cada dia mais raro nas cidades grandes.
MENOS PRESSA NO DIA A DIA
O tempo por aqui parece ter mais do que 24h. Ou talvez o tempo na cidade grande é que dure menos que 24h...
Sinceramente não sei (rsrs), mas sem dúvida os dias são mais proveitosos por aqui. Justamente porque não temos tanta pressa.
Deixa eu explicar melhor: fazemos as mesmas coisas, temos as mesmas obrigações e compromissos. Mas o dia flui muito mais leve, sem aquela angustiante corrida contra o relógio.
Inúmeros fatores contribuem para isso: menos trânsito, menos insegurança, distâncias menores, mais respeito, mais cordialidade etc.
No final do dia, isso tudo faz muita diferença, até porque o anormal é viver correndo e pressionado, exigindo além das nossas capacidades física, emocional e espiritual.
Reflita comigo: se nós conseguimos nos adaptar até com coisas ruins, como violência, barulho e poluição, o que dizer de um ambiente seguro, calmo e saudável, heim?!
DESLOCAMENTO MAIS FÁCIL E RÁPIDO

Em uma cidade do interior, as distâncias e o trânsito são (muito) menores, quando comparados à capital. E não é diferente aqui no Vale do Paraíba.
No post que escrevi sobre 5 vantagens de quem vive no Vale do Paraíba, (link no final) eu propus um cálculo simples sobre o tempo gasto no trânsito, comparando a capital com o Vale do Paraíba. Faça esse cálculo e surpreenda-se com o tempo que você perde dentro do carro ou no transporte público.
Trata-se realmente de um tempo perdido, pois ele foi simplesmente consumido em um deslocamento que poderia ter durado muito menos. Porém a distância, o excesso de carros, de pessoas, a qualidade do transporte etc, não permitiram que fosse feito em um tempo menor.
É claro que você pode tentar minimizar essa perda de tempo, lendo um livro, assistindo uma aula ou até vendo um filme ou jogando alguma coisa, se essa for sua opção.
Mas mesmo assim existirão perdas: cansaço físico, mental, tensão etc.
O lado bom da história é que por aqui costumamos dizer que ir de um lugar para outro não leva mais do que 15 minutos. Em 15 minutos você sai da sua casa e chega no centro da cidade; em 15 minutos você chega na escola do seu filho; em 15 minutos você chega ao banco para pagar uma conta; em 15 minutos você vai ao mercado para fazer uma compra.
Obs.: quem sabe um dia conversamos pessoalmente e aí te conto que no meu caso esse tempo é ainda menor. Oh glória. Rsrs
CONVIVÊNCIA MAIS PRÓXIMA COM VIZINHOS
No primeiro item desta lista, já falei um pouco sobre o comportamento de grande parte das pessoas por aqui, que adora um "dedo de prosa".
Evidentemente, essa maior proximidade se reflete também na relação entre vizinhos.
Com isso, não estou querendo dizer que os vizinhos passarão a frequentar sua casa, até porque boa parte das pessoas gosta de preservar uma certa privacidade no ambiente familiar.
O que estou falando é que a vida em condomínio no interior é melhor que a vida em condomínio em uma grande cidade. Pelo menos para mim é assim. Pessoas mais educadas, sorridentes e solícitas.
Na minha opinião, essa é outra diferença fundamental, pois morar em um condomínio é conviver em um espaço comum, dividir despesas, tomar decisões em conjunto. E em um ambiente de harmonia, respeito e solidariedade, tudo fica mais fácil.
Já morei, fui conselheiro e prestei serviços para condomínios na capital... é cada fofoca, briga e falta de educação que nem dá para acreditar.

EVENTOS COMUNITÁRIOS E FESTAS TRADICIONAIS
Viver no Vale significa também inserir-se em um outro contexto comunitário, com um calendário repleto de eventos e festas.
E isso se deve, basicamente, à história de formação das cidades e à cultura de seu povo, construídas ao longo de muitos anos. Afinal, os primeiros núcleos populacionais do Vale surgiram no século XVII, sendo Taubaté o povoado que recebeu do governo colonial o status de primeira vila, em 1640.
No artigo intitulado "A cultura do Vale do Paraíba", de Daniela Amália Ochoal, Gabriella Mamede de Oliveira e Ana Enedi Prince, são citadas as seguintes celebrações:
Folia do Divino
Folia de Reis
Moçambique
Congada
Jongo
Catira
Dança de São Gonçalo
Dança de Fitas
Festa de Santa Cruz
Carnaval
Malhação e queima de Judas
Corpus Christi
Festas dos padroeiros
Além disso, também são mencionadas outras manifestações culturais, como santeiros, figureiras, ceramistas, danças, procissões, festas religiosas, tropeirismo e gastronomia.
Se você quiser ler este artigo, vou deixar o link no final do post, ok?
Para quem gosta de esporte, também existem boas opções no Vale, já que algumas cidades possuem equipes de futebol, vôlei, basquete, handebol e outras modalidades, com projeção regional e até nacional.
Assim, conhecer e frequentar esses eventos e festas é uma agradável maneira de se sentir parte integrante desta nova comunidade.
CONTATO DIRETO COM A NATUREZA

Já foram comprovados pela ciência os benefícios de se viver em contato com a natureza.
Em 2023 a National Geographic publicou uma matéria em seu site, trazendo um relatório da Organização Mundial da Saúde e muitos outros estudos a respeito dos impactos positivos de se viver em meio aos chamados ambientes verdes e azuis.
A lista de benefícios é surpreendente:
melhora do humor, mentalidade e saúde mental
apoio às atividades físicas
oportunidades de interação social
diminuição dos problemas mentais
redução no uso de medicamentos psicotrópicos
redução no uso de medicamentos anti-hipertensivos
redução no uso de medicamentos para asma
redução na pressão arterial
alívio dos sintomas depressivos
alívio da fadiga mental
melhora da capacidade de concentração
Convido você a ler essa excelente matéria da National. O link está no final deste post.
Em termos bem práticos, quem vive no Vale respira um ar muito mais puro, pode ouvir o canto dos pássaros, se deleitar com paisagens maravilhosas, apreciar o silêncio, desfrutar de um céu mais azul e com noites estreladas etc.
Por isso, não tenho dúvidas de que a escolha por viver no Vale, mais próximo à natureza, também deve ser considerado um investimento.
Um investimento que muitas vezes pode até parecer imensurável. Afinal, quanto custa nossa paz, alegria e satisfação?
De outro lado, sabemos muito bem quanto custam os medicamentos, terapias e consultas necessários para enfrentar as doenças do corpo e da alma. Muitas vezes causados pelo estresse e condições adversas a que estamos expostos quando vivemos numa grande cidade.
Enquanto eu vivia em uma cidade grande, os momentos em meio à natureza eram pontuais, enquanto o cinza dos prédios era preponderante. Agora eu inverti essa conta.
ROTINA DE COMÉRCIO DIFERENTE
Tudo tem sua razão de ser.
Nos grandes centros, muitas lojas, supermercados, restaurantes, academias, pet shops etc têm uma longa jornada, superando as 8 horas diárias de funcionamento. Ou às vezes nem fecham, operando 24 horas ininterruptamente.
O motivo desse expediente tão extenso é evidente: quem vive em uma cidade grande não tem tempo para fazer tudo o que precisa dentro do chamado horário comercial. Daí, necessita de horas adicionais para dar conta de todas as suas tarefas.
No Vale as coisas são diferentes.
Embora já existam alguns comércios com um horários mais estendidos (e até 24h também), a maioria deles ainda funciona em horário comercial (ou próximo disso).
Isso pode parecer estranho num primeiro momento, principalmente para quem está fazendo a migração da capital para o Vale. Porém, esse novo horário logo entra na rotina, até porque se ajusta perfeitamente ao ritmo da cidade e de seus moradores. Lembra que eu falei que o tempo aqui parece passar mais lento, os deslocamentos são mais fáceis, o trânsito menor etc?
Enquanto eu morava numa cidade grande, tinha a impressão que fazia muitas coisas no tempo que sobrava. Algumas delas muito cedo ou já tarde da noite. E nesse ritmo o resultado era óbvio: poucas horas de sono, corpo cansado, mente esgotada.
Nunca achei isso "normal". E hoje muito menos, principalmente quando você percebe que pode ter um tempo de qualidade para fazer todas as suas coisas. Afinal, não somos obrigados a brigar contra o relógio, tentando encaixar nossos muitos compromissos no pouco tempo que temos.
DESLOCAMENTO A PÉ OU DE BICICLETA
Andar a pé ou de bicicleta são opções muito viáveis para quem vive no Vale.
Evidente que para distâncias maiores, transporte de materiais ou necessidade de deslocamentos mais rápidos, talvez o trajeto a pé não seja o mais adequado.
Nessas situações, porém, a bicicleta pode surgir como uma grande aliada.
Sempre gostei de bike. Mas quase não andava de bicicleta na cidade grande. Tinha sérias preocupações com a segurança: receio de ser roubado ou ser atropelado.
Porém, desde que mudei para cá, acredito que andei de bicicleta mais de 98% dos dias. Uma verdadeira guinada. Uma baita economia de combustível. Melhor para o meio ambiente. Melhor para minha saúde (física e mental).
Enquanto andar de bicicleta é um "ato de resistência" na cidade grande, como uma batalha entre Davi e Golias (no nosso caso, o ciclista e os motoristas de carros, motos, ônibus e caminhões), aqui no Vale trata-se de um verdadeiro meio de transporte.
Tem muita gente andando de bike por aqui. Para ir ao trabalho, para ir a escola, para ir ao mercado etc. Andam sozinhos, em dupla e até de guarda-chuva.
Ah, e todas as maiores cidades do Vale já possuem ciclovias implantadas.
MAIOR SENSAÇÃO DE SEGURANÇA
A insegurança nas capitais atingiu níveis inadmissíveis. Infelizmente, ninguém pode dizer que caminha pela rua, atende a um celular, anda de bicicleta ou vai ao banco absolutamente despreocupado.
Desta forma, quem mora nessas cidades aprendeu a se proteger. Vive desconfiando de tudo e de todos. E isso é uma necessidade.
No post 5 vantagens de quem vive no Vale do Paraíba, eu já mencionei alguns dados sobre segurança pública no Vale do Paraíba. Os números de furtos, roubos e homicídios são menores se comparados proporcionalmente à capital paulista. E também são menores se comparados ao ano anterior (2024).
Mas eu também disse que existem problemas por aqui. Lamentavelmente não estamos imunes ao tráfico e uso de drogas, armas, crimes patrimoniais e até contra a vida. Realidade de um país que há décadas busca combater a criminalidade, ao mesmo tempo em que vê o crescimento das organizações criminosas locais, regionais, nacionais e até internacionais.
De toda maneira, encorajo você a viver essa mudança. De maneira geral, aqui no Vale ainda é possível passear calmamente com sua família na praça central, fazer atividades ao ar livre ou sentar na porta de casa para uma boa conversa.
MAIOR PARTICIPAÇÃO EM TRADIÇÕES RELIGIOSAS
No item 5 desta lista relacionamos várias festas e manifestações culturais existentes no Vale do Paraíba.
Em complemento, não podemos deixar de falar especificamente das celebrações religiosas que também movimentam a região. Sobretudo, as de origem católica.
Todas as cidades do Vale tem seu padroeiro de devoção. Na tabela abaixo coloquei uma lista com os nomes das cidades, seus padroeiros e dia de comemoração.
Aparecida | Nossa Senhora da Conceição | 12 de outubro |
Arapeí | Santo Antônio | 13 de junho |
Areias | Sant'anna | 26 de julho |
Bananal | Senhor Bom Jesus | 6 de agosto |
Caçapava | São João Batista | 24 de junho |
Cachoeira Paulista | Santo Antônio | 13 de junho |
Campos do Jordão | Santa Teresinha | 1 de outubro |
Canas | Nossa Senhora Auxiliadora | 24 de maio |
Cruzeiro | Nossa Senhora da Imaculada Conceição | 8 de dezembro |
Cunha | Nossa Senhora da Imaculada Conceição | 8 de dezembro |
Guaratinguetá | Santo Antônio | 13 de junho |
Igaratá | Nossa Senhora do Patrocínio | Não consegui confirmar a data |
Jacareí | Nossa Senhora da Imaculada Conceição | 8 de dezembro |
Jambeiro | Nossa Senhora das Dores | 15 de setembro |
Lagoinha | Nossa Senhora da Imaculada Conceição | 8 de dezembro |
Lavrinhas | São Sebastião | 20 de janeiro |
Lorena | Nossa Senhora da Piedade | 15 de agosto |
Monteiro Lobato | Nossa Senhora de Bonsucesso | 8 de setembro |
Natividade da Serra | Nossa Senhora de Natividade | 8 de setembro |
Paraibuna | Santo Antônio | 13 de junho |
Pindamonhangaba | Nossa Senhora de Bonsucesso | 8 de setembro |
Piquete | São Miguel Arcanjo | 29 de setembro |
Potim | Senhor Bom Jesus | 6 de agosto |
Queluz | São João Batista | 24 de junho |
Redenção da Serra | Nossa Senhora da Imaculada Conceição | 8 de dezembro |
Roseira | São Sebastião | 20 de janeiro |
Santa Branca | Santa Branca | 26 de setembro |
Santo Antônio do Pinhal | Santo Antônio | 13 de junho |
São Bento do Sapucaí | São Bento de Núrcia | 11 de julho |
São José do Barreiro | São José | Julho |
São José dos Campos | São José | 19 de março |
São Luiz do Paraitinga | São Luiz de Tolosa | Agosto |
Silveiras | São Benedito | 5 de outubro |
Taubaté | São Francisco das Chagas | 4 de outubro |
Tremembé | Senhor Bom Jesus | 6 de agosto |
Além da comoção que move os fiéis, essas festas normalmente estão associadas a comidas típicas, danças, músicas e sorteios. Uma grande oportunidade para estar com a família e amigos.
E aí, ficou alguma coisa de fora nessa minha lista? Deixe seu comentário. Um grande abraço e nos encontramos no próximo post.
LINK para o artigo A CULTURA DO VALE DO PARAÍBA https://www.inicepg.univap.br/cd/INIC_2006/inic/inic/05/INIC000077%20oik.pdf
LINK PARA A MATÉRIA DA NATIONAL GEOGRAPHIC
LINK PARA O POST 5 VANTAGENS DE QUEM VIVE NO VALE DO PARAÍBA
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